Uma cidade inteira chamada a escrever o próximo ato do Variedades
Quando um lugar consegue capturar a alma de uma cidade, cada cadeira, cada palco torna-se um guardião de memórias. E é exatamente isso que o Teatro Variedades está a fazer ao lançar a campanha “Teatro Variedades: 100 anos de memórias”, uma chamada aberta a todos os que guardam fragmentos dessa história, para transformar Lisboa num grande álbum vivo.
Depois de reabrir em outubro de 2024, este ícone do Parque Mayer, com quase um século de vida desde a sua estreia em 8 de julho de 1926, prepara-se para o centenário pedindo ajuda direta ao público. Programas de espetáculos, bilhetes antigos, adereços, figurinos, fotografias ou simples histórias contadas por quem sentiu o palco sob os pés, são agora o coração de uma iniciativa que pretende preservar o sentimento vivo deste espaço popular.
A campanha decorre até 31 de janeiro de 2026 e culminará numa grande exposição, feita de objetos, imagens e testemunhos — para homenagear o papel do Variedades como espelho da cultura e da crítica social em Lisboa. O diretor Joaquim René sublinha que o verdadeiro legado do teatro está na sua capacidade de “refletir a alma lisboeta”, com sátiras, risos, emoções e momentos de pura alegria, sempre de portas abertas a todos.
Este convite não é apenas uma recolha de antigas recordações, mas um gesto coletivo de reconhecimento da cidade por aquilo que o Variedades representou — um espaço democrático que acolheu gerações, tradições e inovações culturais. As candidaturas aceitam-se por e-mail ou presencialmente, e podem ser empréstimos de objetos, doações ou simples arquivos digitais .
O resultado promete ser muito mais do que uma exposição: será o reflexo de uma comunidade que quer preservar a memória comum, ao mesmo tempo que impulsiona o teatro para o futuro, o verdadeiro espírito de um século bem vivido.

