Proporção com atitude e um sorriso, no outono de Marc Jacobs

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Marc Jacobs voltou a transformar a New York Public Library numa passarela de ideias, e a coleção de outono 2025 não poderia ter um nome mais sugestivo: “Beauty”. Em apenas 19 looks, o designer norte-americano revelou uma proposta que desafia tudo o que entendemos por proporção, forma e elegância. O resultado? Um desfile que mais pareceu uma escultura viva de contradições e que, claro, não deixou ninguém indiferente.

Ao primeiro olhar, a provocação é evidente. Casacos com volume exagerado nas ancas, bustiers inflados como se fossem airbags de alta-costura, vestidos de renda escura escondidos sob silhuetas recheadas com intenção, e jeans brancos de corte boxy tão marcantes que se tornaram protagonistas. Jacobs brinca com os códigos do quotidiano, cargos com quatro bolsos ganham ar de armadura, e os laços deixam de ser doces para se tornarem gráficos, quase industriais. Nada é suave, tudo tem intenção.

Mas se o visual pode parecer teatral, o conceito vai além da estética. Para Jacobs, a beleza aqui é uma construção feita de simplicidade aparente, autenticidade e tensão. Os rostos das modelos , frescos, iluminados, com sombras esbatidas e lábios naturais, equilibravam o volume das roupas com um toque quase angelical. Os penteados tipo boneca, com laços em feltro e clips invisíveis, assinados por Pat McGrath e Duffy, traziam uma nostalgia do feminino que não é submisso, mas antes enigmático.

E como sempre, a crítica dividiu-se. Em fóruns como o theFashionSpot, alguns viram uma explosão criativa, outros apenas excesso. As comparações com Balenciaga ou Christian Siriano surgiram, assim como os comentários ácidos do costume. Mas no meio da polémica, uma certeza: Jacobs continua a ser um dos poucos criadores que não tem medo de ir até ao limite, mesmo que isso signifique transformar a beleza em algo desconfortável, inflado, até caricatural.

A escolha do cenário, os corredores imponentes da biblioteca pública de Nova Iorque — apenas reforçou essa teatralidade urbana e intelectual. Cada look parecia sussurrar entre as colunas clássicas, numa coreografia de tensão entre o passado e um presente exagerado. A moda, aqui, não é só roupa. É arte, manifesto, e sobretudo, uma provocação.

No fim, “Beauty” não se limita a embelezar. Desconstrói. Alarga. Interroga. E é precisamente por isso que o desfile de Marc Jacobs foi um dos mais falados da temporada, porque nos obriga a questionar o que realmente achamos bonito. E se calhar, a resposta está mesmo nesse desconforto estilizado.

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