Manobras de Maio vão para o museu
O MUDE – Museu do Design e da Moda, em Lisboa, acaba de reforçar o seu acervo com três doações de peso, que cruzam moda, artes performativas e design de autor. O museu anunciou a entrada de peças dos designers Miguel Rios, Paulo Sellmayer e da figurinista e criadora Rita Lopes Alves, numa operação que preserva e celebra décadas de criação independente e pensamento estético em Portugal.
Entre os nomes, destaca-se o contributo de Rita Lopes Alves, figura incontornável da mítica passerelle Manobras de Maio, que animou o Bairro Alto entre os anos 80 e 90. Mais do que um desfile, foi um manifesto urbano de liberdade criativa, onde moda, performance, música e política se cruzavam na rua. Rita foi a força criativa por detrás desse movimento, mas também uma figurinista de referência no cinema português, tendo assinado o guarda-roupa de obras de realizadores como Jorge Silva Melo, Pedro Costa, Joaquim Sapinho, Margarida Gil ou Luís Filipe Costa. A sua doação ao MUDE, um conjunto de peças emblemáticas, entra agora no museu sob o nome “Manobras”, e representa não só uma estética, mas uma atitude perante o corpo, o espaço e a sociedade.
Também o designer Miguel Rios, com a coleção “MR_D | Miguel Rios Design”, e o criador Paulo Sellmayer, com uma seleção do seu trabalho autoral, contribuíram para este reforço curatorial. As peças passaram por processos de triagem, inventariação, digitalização e acondicionamento, em articulação com a equipa do museu, para garantir não só a sua preservação, mas a sua futura acessibilidade a investigadores e ao público.
Estas incorporações vêm enriquecer as reservas do MUDE num momento estratégico de reafirmação institucional, consolidando o seu papel enquanto guardião da memória do design português, e como palco aberto ao pensamento contemporâneo. Mais do que guardar objetos, o museu preserva discursos, gestos e movimentos que definiram gerações criativas em Portugal.
Esta é uma celebração do passado recente, mas também uma aposta no futuro, um futuro onde o design, a moda e a cultura continuam a conversar com o público, com o tempo e com a cidade.

